Oficina gera plano de ações para o Semiárido

Publicado por CIDACS em 02/02/2018 às 16:51

Após dois dias de trabalho, a Oficina “Informação para governança e o desenvolvimento de territórios saudáveis e sustentáveis”, realizada no Tecnocentro, Salvador, Bahia, nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro, apresentou diversos resultados. Com a parceria do Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs/Fiocruz) e o Projeto Redes Territórios Saudáveis e Sustentáveis do Semiárido (TSSS), entidades nacionais do governo e do terceiro setor se reuniram para pensar as demandas em meio ambiente e saúde dessa região. Juntos, eles buscam compreender as dinâmicas do Semiárido e reunir estratégias de abordagem adaptadas para essa realidade.

No primeiro dia (31/01), os palestrantes se reuniram pela manhã no auditório do Tecnocentro. Lá, o coordenador do Cidacs, Mauricio Barreto, pesquisador em Saúde Pública, fez uma apresentação sobre o Centro e falou sobre as múltiplas possibilidades de uso dos dados em saúde coletados pelo governo federal, já disponíveis para produção de conhecimento, identificação de problemas e busca de soluções nas regiões e, consequentemente, na elaboração de políticas públicas.

Uma das autoridades presentes no evento, Daniela Buosi, coordenadora-geral em Vigilância em Saúde Ambiental do Ministério da Saúde, enfatizou que um dos desafios da gestão do semiárido se refere à questão da qualidade da água. “Nessas regiões, devido à escassez, querem flexibilizar a questão da qualidade da água e transferem para a população a obrigação que é do Estado, de tratar a água. Mas ao contrário, temos que ser mais rigorosos onde a qualidade da água pode ser mais afetada”.

Os participantes também poderam conhecer iniciativas como mapeamento de reservatórios de água usando dados das agências estaduais, como foi a Plataforma Olho N’Água, trazida pelo Instituto Nacional do Semiárido (Insa), ou o mapeamento de feiras orgânicas, de atividades agroecológicas, desenvolvido pela cooperativa Educação, Informação e Tecnologia para a Autogestão (EITA), e também o uso de mapeamento para análise do fenômeno das secas e estiagens, dos efeitos, sobretudo, na saúde da população afetada, como está sendo feito no Observatório do Clima e Saúde.

A oficina se dividiu em quatro grupos de Trabalho (GTs) e no fim das atividades foi apresentado um plano de ações. O GT1 (Métodos mapeamento de situações de risco e vulnerabilidade social e ambiental), por exemplo, chegou a conclusão que uma de suas ações será o mapeamento de conflitos de uso e acesso das águas, tendo como estrátégia um inventário realizado pelo Cidacs em parceria com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Insa, Universidade de Brasília (UNB) e Articulação do Semiárido Brasileiro (Asa).

Já o GT2 (Sistema interativo de análise, monitoramento e avaliação dos Territórios com a participação dos cidadãos locais) trouxe entre as suas iniciativas o estabelecimento de modelo de governança da informação, que deve ser feito por meio de criação de grupo interinstitucional com participação de movimentos sociais. Além das instituições presentes nos outros grupos de trabalho, participaram deste grupo a Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES/DF), o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), o Laboratório de Sistemas Distribuídos da Universidade Federal de Campina Grande (LSD/UFCG), o Observatório da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas (Obteia) e a Education 2030 for action (Efa2030).

GT3 (Ativação de redes sociotécnicas dos atores locais para a mensuração dos determinantes de saúde em articulação com os ODSs) propôs realizar oficinas de elaboração participativa de planos locais, com participação da Asa, Fiocruz e a Efa2030, além de elaborar documento de diretrizes para o desenvolvimento de território saudável e sustentável e realizar oficinas de elaboração participativa de planos locais, com participação da ASA.

Articulação de atores para formação e ativação de rede sociotécnica em territórios foi uma das propostas do GT4 (Metodologias para a capacitação dos atores locais para uso da inteligência Cooperativa). A rede deve ser composta de atores sociais de cidades da Bahia, Piauí, Ceará, Distrito Federal e já deve ter início em junho deste ano. A coordenação dessa frente de trabalho deve ser feita pela Coordenação da ASA, incluindo nessa parceria os Institutos Federais (IFs).